Depois de algum tempo sem Internet - aliás, sem monitor (meu monitor pifou) - trago mais uma postagem. Um texto que recebi do informativo jurídico Migalhas (www.migalhas.com.br), homenageando o grande Oswaldo Cruz, cujo aniversário, lembrado com o Dia Nacional da Saúde, 5 de agosto.
Abraço
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"Desejo com sinceridade que não se cerque a minha morte dos atavios convencionais com que a sociedade revestiu o ato da nossa retirada do cenário da vida. Pelo respeito que voto ao pensar alheio, não quero capitular de ridículos esses atos: julgo-os para mim completamente dispensáveis e espero que a Família, que tanto quero, se conforme com esses inofensivos desejos, que nasceram da maneira pela qual encaro a morte, fenômeno fisiológico naturalíssimo, ao qual nada escapa. Tão geral, tão normal, tão banal, que julgo absolutamente dispensável frisá-la com cerimônias especiais. Por isso desejaria que se poupasse aos meus a cena da vestimenta do corpo, que bem pode ser envolvido em simples lençol. Nada de convites ou comunicação para o enterro, nem missa de sétimo dia. Nem luto tampouco. Este traz-se no coração e não nas roupas. Peço encarecidamente aos meus que não prolonguem o natural sentimento que trará minha morte. Que se divirtam, que passeiem, que ajudem o Tempo na benfazeja obra de fazer esquecer. Não há vantagem alguma de amargurar com lágrimas prolongadas os tão curtos dias da nossa existência. Portanto, que não usem roupas negras, que além de tudo são anti-higiênicas em nosso clima; que procurem diversões, teatros, festas, viagens, a fim de que disfarcem essa pequena nuvem, que veio empanar a normalidade do viver de todos os dias. É preciso que nos conformemos com os ditames da natureza. A meus filhos, peço que não se afastem do caminho da honra, do trabalho e do dever, e que empunhem como fanal e elevem bem alto o nome puro, honroso e imaculado que herdei como o melhor patrimônio da Família, e que a eles lego como o maior bem que possuo. A minha querida esposa, tão sensível, tão impressionável, tão difícil de se conformar com as dores da nossa vida, peço que não encare a minha morte como desgraça irreparável; peço que se console com rapidez e não deixe anuviado pela dor esse espírito vivaz, inteligente, espirituoso, que constituía a alegria do nosso lar e o lenitivo pronto para os sofrimentos que por vezes deparávamos. Aí ficam nossos filhos, outros tantos rebentos em que vamos reviver, garantias seguras da nossa imortalidade - que se encarregarão de levar através do espaço e do tempo as porções do nosso corpo e do nosso espírito de que os fizemos depositários, quando ao mundo vieram. Quanto aos bens de fortuna que deixo, espero que sejam divididos por minha esposa entre os filhos. Espero e rogo que nunca a questão de bens materiais venha a trazer a menor discórdia entre os meus: seria para mim a mais dolorosa das contingências. Peço a meus filhos que acatem sem discussão a divisão que deles fizer minha Esposa."
Oswaldo Gonçalves Cruz
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sábado, 15 de agosto de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
Michael
Caramba, não teve outra notícia mais comentada, discutida, especulada, aumentada ou desprezada nos últimos dias. Todo mundo, em todo lugar está falando - bem ou mal - do Michael. Do mito. Do músico. Do dançarino. Do gênio. Dos escândalos. Da morte.
De fato, quem viveu os anos oitenta (ou seriam oitentas? Fui pesquisar e fiquei mais confuso), e digo viveu, não apenas passou por eles, sabe o que representou o então jovem cantor e dançarino, que inovou com os clipes musicais que estavam mais para super-produção... Aliás, exagero sempre foi uma marca do Michael. E infelizmente ele exagerou nos remédios.
Ele exagerou também nas roupas, nas músicas, nas ideias... Quem não se lembra de "We are the World", composta por ele e Lionel Richie, que reuniu 45 artistas norte-americanos para arrecadar fundos contra a fome? A ideia foi dele.
Coisa de americano. Coisa de mito.
Pois é. Achei uma pena a morte dele. Não que fosse seu fã. Nos anos oitenta, lá pelos meus 7 ou 8 anos, eu e as torcidas do flamengo e do corinthias sabíamos fazer o tal moonwalk e dançar um pouco de break. Todo mundo gostava de ouvir e ver Michael Jackson. Achei um pena ele morrer aos 50 anos. É muito cedo. Estava com uma agenda cheia, pronto pra voltar aos palcos e, pela primeira vez, seus filhos veriam uma performance sua no palco.
Me lembro dos lançamentos de discos com tremendo estardalhaço, do casamento com a Lisa Presley e das denúncias de abuso de crianças.
Milhões de fãs pelo mundo que o amaram, o admiraram, o idolatraram... Mas, quem o conheceu? Esta é uma realidade triste nas pessoas famosas: não as conhecemos. Conhecemos apenas sua arte, seu trabalho, sua fama, sua voz, suas manias até, mas não seus corações. Para isso teríamos de ser seus amigos, no mínimo, e conviver com elas, pelo menos.
Mas, esta é a vida injusta que vivemos. Quando chegar a nossa vez, também deixaremos uma sensação de "que pena" no ar?
Rest in peace, Mr. Jackson. Até o dia do Juízo Final.
Norberto Filho
04/07/2009
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